E em nossa transição à secundidade, traduzirei de modo livre trecho de carta de Peirce enviada à Lady Welby (grifo nosso):
“O tipo de uma idéia de secundidade é a experiência de esforço, prescindido da idéia de um propósito. Pode-se dizer que não há tal experiência, que há sempre um objetivo em vista, desde que o esforço é conscientizado.[...]A existência da palavra esforço é prova suficiente de que as pessoas pensam que têm essa idéia e que é suficiente. A experiência de esforço não pode existir sem a experiência de resistência; [...] é o esforço por virtude de ser oposição, no qual nenhum terceiro elemento entra. Note-se que falo da experiência, não do sentimento, do esforço . Imagine-se sentado sozinho à noite no cesto de um balão, muito acima da terra, calmamente apreciando a calma e tranquilidade absolutas. De repente, o som de um apito soa em cima de você, e continua por um bom tempo. A impressão de silêncio foi uma idéia de Primeiridade, uma qualidade de sentimento. O assobio cortante não permitem você pensar ou fazer qualquer coisa, mas sofrer. Então, isso também é absolutamente simples: outra Primeiridade. Mas a quebra do silêncio, o barulho foi uma experiência . A pessoa em sua inércia se identifica com o estado precedente de sentimento, e o sentimento novo que vem é o não-ego. Essa pessoa tem, então, uma consciência de face dupla: um ego e um não-ego. Essa consciência da ação de um novo sentimento em destruir o velho sentimento é o que eu chamo de uma experiência. Experiência geralmente é o que o curso da vida obrigou-me a pensar. Secundidade ou é verdadeira ou degenerada. Existem muitos graus de autenticidade. A secundidade geral genuína consiste em uma coisa agindo sobre o outro – a ação bruta. Digo bruta, porque na medida em que a idéia de qualquer direito ou razão vem, vem dentro da Terceiridade. Quando uma pedra cai no chão, a lei da gravidade não atua para fazê-la cair. A lei da gravitação é o juiz em cima da bancada, que pode pronunciar a lei até o juízo final, mas a menos que o braço forte da lei, o xerife brutal, dê cumprimento à lei, isso equivale a nada. [...] A pedra a cair é puramente o caso da pedra e da terra, ao mesmo tempo. Este é um caso de reação. Então, é a existência que é o modo de ser do que reage com outras coisas “. (A Letter to Lady Welby, CP 8.330, 1904).